segunda-feira, 6 de maio de 2019

A volta da Copa América ao Brasil e os desafios da seleção

       No dia 14 de Junho, terá início a edição de número 46 da Copa América de futebol, que retorna ao país depois de 30 anos. De todas as edições, apenas cinco foram realizadas em território brasileiro e todas vencidas pela seleção brasileira. Na edição desse ano, teremos cinco cidades-sede: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Salvador. Para o torneio, teremos a participação de 12 seleções, sendo10 sulamericanas e duas convidadas. Brasil, Bolívia, Venezuela, Peru, Argentina, Colômbia, Paraguai, Catar, Uruguai, Equador, Japão e Chile tentarão o título em solo brasileiro. O formato de disputa será de Fase de Grupos, os dois melhores de cada grupo e os dois melhores terceiros colocados avançam à fase eliminatória.
Imagem: Site Conmebol
    Apesar de ser a seleção que mais vezes foi campeã mundial, com cinco conquistas, a seleção canarinho venceu apenas oito vezes a Copa América. No ranking de todas as seleções que já conquistaram a competição, é apenas a terceira colocada, muito atrás de argentinos e uruguaios. 




    A seleção brasileira chega à competição em seu momento de maior instabilidade desde que o técnico Tite assumiu o comando da equipe. A decepção na Copa de 2018 e as escolhas do treinador naquela ocasião são as principais críticas, tanto da torcida quanto da mídia. O período pós Copa tem demonstrado uma queda no rendimento da equipe, apesar dos resultados não serem tão distantes do período pré Copa do Mundo.



       Apesar da insatisfação com o futebol apresentado, constatado inclusive pelo próprio treinador, Tite afirmou que, jogando em casa e com o apoio da torcida, o título é obrigação. Ao mesmo tempo em que a pressão aumentou, as convocações do treinador passaram a priorizar os jovens. Esse processo de rejuvenescimento já tem em vista a Copa do Mundo de 2022, no Catar. 



       Para entender melhor a situação da seleção brasileira nessa Copa América e o momento dos comandados de Tite, entrevistamos o jornalista do "O Globo" e dos canais Sportv, Carlos Eduardo Mansur. Para ele, a queda de rendimento da seleção no período pós-Copa tem a ver com a questão do futebol ser um esporte cíclico, e dentro desse há oscilações. Para demonstrar isso, cita outras grandes seleções, como a da Argentina e da Espanha que tiveram resultados ruins nesse novo ciclo de Copa.

       Analisando ainda o desempenho no pós-Copa, ele afirma que a torcida brasileira avalia a qualidade de um trabalho pela conquista ou não de um título. Para justificar um fracasso, busca também eleger um vilão, e cita Felipe Melo em 2010 e Fernandinho em 2018. Disse ainda que a conquista de uma Copa do Mundo é uma exceção, enquanto boa parte da torcida a vê como normalidade.
      Falando sobre o desempenho da equipe, diz que é importante apresentar variações táticas, com diferentes esquemas, como o 442 e o próprio 424. Afirma ainda que na eventualidade de uma perda do título, a manutenção de Tite no comando seria sua escolha para o desenvolvimento da equipe, visando a próxima Copa do Mundo. Segundo ele, mesmo sem apresentar um futebol brilhante, o Brasil é o favorito à conquista, e cita também o momento ruim da Argentina, principal rival.
      Por fim, avalia a questão de Neymar e sua conduta - o jogador socou um torcedor recentemente - como imprópria, e afirma que o procedimento de Tite no passado e sua defesa da coerência aumenta a pressão por uma atitude do treinador. Além disso, levanta a questão do posicionamento de Neymar no clube, jogando mais centralizado, não mais pela esquerda, como um fator importante a ser trabalhado.
       Destaca ainda os jovens jogadores que têm obtido mais protagonismo, como Everton, David Neres e Vinícius Júnior. Perguntado sobre levar o jogador do Real Madrid voltando de lesão, Mansur se colocou no muro. Disse que entenderia a convocação, com base na preparação para a próxima Copa e nos benefícios em se participar de uma competição pela seleção principal.Assim como entenderia sua não convocação para priorizar jogadores com mais ritmo de jogo e bom momento, como Everton e David Neres.
       A seleção brasileira estreia na Copa América no dia 14 de Junho, contra a Bolívia, no Morumbi, São Paulo. Os 23 convocados serão anunciados no dia 17 deste mês, e fica a expectativa pelas presenças tanto de Neymar quanto de Vinícius Júnior. Se conseguir chegar à final, o Brasil jogará novamente uma final de Copa América no Maracnã, algo que aconteceu em 1989, quando os brasileiros foram campeões ao vencer o Uruguai por 1x0.

sábado, 4 de maio de 2019

A busca por um rumo do Vasco

       A situação do Vasco na temporada não é nada boa e não dá sinais de melhora. Há pouco tempo, foi eliminado em casa pelo Santos pela Copa do Brasil e amarga a lanterna do Brasileirão. Assim como o Fluminense, o Vasco ainda não conseguiu conquistar nenhum ponto em duas partidas e já sofreu impressionantes cinco gols. Além dos resultados ruins, o futebol apresentado deixou muito a desejar e Marcos Valadares busca seu time ideal ainda, sem nem mesmo saber se seguirá no cargo de treinador da equipe.
       Como se a situação em campo já não fosse ruim o suficiente, há também diversos problemas na administração do clube. A situação financeira segue complicada como em boa parte dos últimos anos, disputas internas e problemas de vestiário fazem parte do cotidiano de São Januário nesse ano. Esses fatores  e tantos outros pesam no torcedor que vê o clube sem rumo e sem perspectiva de melhoras num futuro próximo, e com o fantasma do rebaixamento mais uma vez assombrando o Gigante da Colina, a tensão é palpável.
       Na lista de tantos problemas, listarei alguns dos principais nessa temporada e analisarei-os:

Indefinição no cargo de treinador: Para essa temporada, o Vasco manteve Alberto Valentim no comando da equipe apesar de o treinador ter obtido resultados muito ruins em 2018, brigando contra o rebaixamento até o final do Brasileirão. Após a perda do título do Campeonato Carioca, a diretoria optou por demitir o treinador e Marcos Valadares, que treinou a equipe sub-20 nesse ano e foi vice da Copa São Paulo de Futebol Junior, assumiu o cargo. Desde então o Vasco busca um novo técnico, mas parece não ter noção do perfil de treinador que procura. Segundo o presidente, Alexandre Campello, não há no momento negociações com Thiago Larghi nem Mauricio Barbieri, como foi noticiado pela imprensa. Ao mesmo tempo, o Vasco procura Dunga, que não tem um trabalho sólido desde que deixou a seleção brasileira e Jorge Jesus, técnico português com sucesso à frente do Benfica. Nessa indefinição toda, a equipe já começa o Brasileirão com duas derrotas, em uma
equipe como o Vasco, cada ponto pode fazer muita diferença na briga contra o rebaixamento.

Agressão de Yago Pikachu no aeroporto: Neste sábado, o Vasco enfrenta o Corinthians em Manaus pelo Campeonato Brasileiro. No desembarque, Yago Pikachu deu um soco em um torcedor à lá Neymar e inflamou ainda mais um ambiente que já não é tranquilo.

Queda de rendimento de Maxi López: Um dos principais, se não o principal jogador do clube no ano passado, Maxi López tem tido números muito abaixo em 2019. As condições físicas do jogador foram um problema nesse ano, em diversos jogos, não pôde jogar por conta de contusão e foi difícil conseguir uma sequência e ritmo de jogo.

Problemas na defesa: Em 2019, o Vasco já realizou 26 partidas e sofreu 27 gols, uma média muito alta, principalmente quando a maioria das partidas foram no Campeonato Carioca. A dupla de zaga não está consolidada e o sistema defensivo como um todo precisa de ajustes. Werley não vai bem, há grande rotatividade entre os titulares, Leandro Castán, referência entre os zageuiros do grupo esteve contundido também, muitos problemas que explicam o alto número de gols sofridos. A incerteza sobre o comando da equipe no entanto, é um problema, é necessário dar ordem à casa.

       O Vasco precisa se organizar rápido e correr atrás do prejuízo, enquanto muitos times já possuem esquemas de jogo definidos, formaçõe, titulares, o Gigante da Colina não sabe nem mesmo quem será seu treinador. Um eventual rebaixamento pode ser catastrófico, visto que as rendas de televisão dos grandes clubes que caem para a Série B, agora sofrem grandes perdas também e o Vasco, assim como a grande maioria dos clubes depende muito das cotas de televisão.